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ESCOLHA
Pe. Antônio de Lima Brito nds


Escolher é selecionar, optar, eleger, preferir. Quando escolho, efetuo uma seleção. Separo o que me interessa daquilo que não me atrai ou menos quero. Acolho o que julgo mais interessante e excluo o restante. Ao optar, decido-me por aquilo que me é mais relevante e relego a segundo plano o que sobra. Sempre que escolho, elejo uma coisa que se encontra no meio de suas concorrentes. Confiro-lhe supremacia, dou-lhe prioridade, por considerá-la mais adequada ao fim a que me proponho. Ao optar, efetivo meu querer, orientando predileção. A coisa escolhida passa a ocupar o primeiro lugar em minha hierarquia de preferências.

A opção é uma ação humana que requer muito cuidado, prudência e sabedoria, sobretudo, em se tratando de vocação. Preferir requer muita perspicácia, porque toda preferência compromete a pessoa e sua vida, beneficiando ou prejudicando (1). Há escolha que tem alto grau de comprometimento. É o caso da vocação e profissão. Pode-se então, dizer que eu serei aquilo que escolher, sou minha escolha (2). Por que assim? Porque minha vida é construída com os objetos de minhas opções; porque danço a música e ritmo determinados pela coisa escolhida. Sou responsável pelas conseqüências de minha escolha (3). Quem opta sabiamente acolhe com alegria as exigências do objeto escolhido. Se eu, portanto, escolher com sabedoria, viverei com alegria; se optar com insensatez, serei frustrado, não terei vez (4).
Como decorrência do uso da liberdade, a opção é uma faca de dois gumes. Tanto pode confirmar e desenvolver a liberdade, quanto negá-la. É assim, porque ser livre não é apenas ter possibilidade de preferência. Ser livre é poder se colocar diante de alternativas e decidir por aquela que mais corresponde à realização integral da pessoa. Ser livre é, por conseguinte, optar por algo realizador. Ser livre é preferir coisas que tornam mais livre quem as escolhe. Ser livre é saber escolher. Liberdade é sinônimo de sábia escolha (5).

O humano é um atleta que avança ao escolher bem e retrocede ao optar mal. Empenho e sabedoria devem qualificar toda e qualquer escolha (6). Embora não optar seja uma “escolha”, a negação, no entanto, não produz realização, porque é uma negação do ser e com o nada, nenhuma coisa se constrói. Consequentemente, viver sem escolher bem é violentar-se, vegetar, estagnar-se, frustrar-se (7). Não se concebe, pois, uma existência humana que prescinda de contínuas opções, ditadas pelo anseio de melhora e dinamismo da própria vida. Os indefinidos, os que permanecem em cima do muro não fazem história, mas sim, estória. Equivalem a um carro parado no trânsito, impedindo o fluxo dos veículos. Rejeitam o chão necessário à caminhada. Eles são os “mornos” de que fala o evangelho (8). Ficam indefinidos porque não têm a coragem de enfrentar a incerteza do futuro e os “nãos” exigidos pela fidelidade ao sim dado (9). Quem não tem capacidade para superar o desafio da incerteza da escolha não decide. Quem espera por total visibilidade na estrada da vida não viaja, porque a cerração da incerteza e a sombra do futuro pertencem à natureza do caminho da fé e são desafios postos a todo caminheiro (10).

Outra razão pela qual os mornos receiam optar é a desorientação vocacional e o baixo teor de generosidade (11). Não são capazes de perceber vantagens na renúncia imposta pelo não decorrente de um generoso sim. Não se desapegam daquilo que é incompatível à opção. Não escolhem nada porque querem tudo. Querem tudo, por isso não têm coisa nenhuma. Não dizem sim porque negam o não. Um não que não se origina de negação arbitrária. Trata-se, pois, de um não reforçador do sim, dado a algo significativamente reconhecido, emergente do chamado a ser mais, presente em todo ser humano (12). Todo não exigido pelo sim realizador significa reconhecimento de maior valor contido no sim. A pessoa humana é criada para escolher sabiamente, porque nasceu livre em vista de um bem maior, vida plena, (13).


(1) Cf Dt 30, 19; (2) Cf Mt 25, 14-30; (3) Cf Is 7, 15; (4) Cf Jr 8, 3; (5) Cf Mt 6, 19-21; 13, 44-46; 16, 24-26; Jo 4, 7-14; (6) Cf Mt 26, 36-42; (7) Cf Mt 25, 14-30;
(8) Cf Ap 3, 15; (9) Cf Mt 19, 16-22; (10) Cf Jo 20, 24-29; (11) Cf Mt 19, 16-22; Jo 14, 6; (12) Cf Mc 8, 34-38; Jo 14, 6; (13) Cf Mt 5, 48; Jo 10, 10.


 


 

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